Em 1816 chega ao Rio de Janeiro a Missão Artística Francesa a pedido de D. João VI, vem liderada por Joachim Lebreton (1760-1819), secretário perpétuo do “Institut de France”, com o apoio de D.João VI e o Conde da Barca, traz ao país Debret (1768-1848), pintor, desenhista, gravador, cenógrafo e decorador que após a morte de seu único filho, deixou Paris e veio aventurar-se no Brasil. Nicolas Taunay (1755-1830), pintor ilustre, professor veio com a familia .Grandjean de Montigney (1776-1850), arquiteto francês, autor do projeto sede da Academia Imperial de Belas Artes e o principal responsável pelo ensino de Arquitetura, então dá-se o inicio a Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios, mas nada de prática ainda. Com o Imperador D. Pedro I inicia-se o ensino formal de artes, no país (1826) com a Academia de Belas Artes, depois Academia Imperial de Belas Artes, formando 50 discípulos, alguns desses alunos vão a Paris estudar arquitetura e voltam no regime republicano e Academia Imperial de Belas Artes passa a ser Escola Nacional de Belas Artes, com um curso de arquitetura.Em 1933 a profissão de arquiteto foi regulamentada e a partir daí, novos horizontes se abriram à arquitetura. A carreira de arquiteto é mais bem compreendida, e assim em 1934 foi lançada o livro de Regulamentação da Profissão de Arquiteto, como conseqüência a separação do curso de arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes. Logo após a revolução de 1930, Lucio Costa (arquiteto do plano Urbanístico de Brasília) foi convidado para dirigir a Escola Nacional de Belas Artes e convida como professores Gregori Warcharvchik (arquiteto russo naturalizado brasileiro, participou do movimento moderno com obras de grande importância, sendo o ícone a casa modernista em SP) e Alexander Budeus (jovem arquiteto alemão, autor de edifícios modernista na Europa e no Brasil), e projetam um novo ensino de arquitetura, causando reações tradicionalistas. Em 1943 foi inaugurado o Edifício do Ministério da Educação e Saúde, que foi confiado à execução do projeto a Lucio Costa, convocando um grupo de arquitetos modernos, Carlos Leão, Jorge Machado Moreira, Afonso Reidy e mais tarde Ernani Vasconcelos e Oscar Neimeyer, tendo como consultor Le Cobusier (arquiteto franco-suíço. Precursor da arquitetura moderna).Em todo esse contexto encontrava-se o estudante de arquitetura Vasco Venchiarutti, que também cursava a Faculdade Nacional de Arquitetura, a partir de 1944 começa a desenhar para arquitetos como Oscar Niemeyer e Jorge Machado Moreira, tendo a oportunidade de observar e assimilar a arquitetura de Niemeyer e o rigor do desenho de Moreira. Em 1946 Vasco Venchiarutti completa seu curso e retorna a Jundiaí. Começa a trabalhar na construtora de seu pai,Giácomo Venchiarutti, assim inicia-se a obra do Edifício Rachel Carderelli, que já havia projetado durante a faculdade.Em Jundiaí ainda encontramos traços dessa arquitetura com as obras de Vasco Venchiarutti. Em janeiro de 1948, com 27 anos de idade, toma posse como Prefeito de Jundiaí, para governar até 1952. Em 1956 foi reeleito.Algumas obras realizadas: três sobrados na Av. Dr. Cavalcanti, (mudança de estilo arquitetônico ,uma referência direta a Lúcio Costa através das treliças, um marco da arquitetura moderna em Jundiaí.).Primeira mesa redonda sobre habitação popular,realizada em Jundiaí em 1957.Viaduto São João Batista, na Ponte São João,Avenida Jundiaí e Trevo da Via Anhanguera. Trevo da Estrada de Itu, Ginásio de Esporte Dr.Nicolino De Lucca (Bolão),Parque Comendador Antonio Carbonari, com restaurante e Concha Acústica (hoje demolidos),Sede da União Brasileira em Jundiaí,Estádio do Corinthians FC (hoje Primavera FC), Estádio Jaime Cintra (Paulista FC) piscina e vestiários do Clube Jundiaiense (sede) e piscina no Clube Jundiaiense (campo), piscinas do Clube Ipiranga, Cine Ipiranga, Ideal Standart S.A. A.E.J. Companhia Sul Americana de Eletricidade, ampliações da Promeca S.A.(Várzea Paulista),Cerâmica Morando,Bebidas Dubar,Igreja de Santo Antonio, no Bairro do Anhangabaú(hoje demolida), escolas, edifícios comerciais, apartamentos, hotéis, Grupo Escolar Paulo Mendes Silva Grupo Escolar do Bairro da Colônia, entre outros.
Autora: Mariangela Mazzola Mendes é arquiteta e urbanista, da Comissão de Projetos e Obras Públicas e do Grupo de Arquitetura Moderna do Instituto de Arquitetos do Brasil, Núcleo de Jundiaí – IAB Jundiaí.
mari_mazzola@hotmail.com