O IX Congresso Brasileiro de Arquitetos, organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil-IAB, que aconteceu em São Paulo, em 1976, reuniu cerca de seis mil arquitetos que se manifestaram contra a ditadura e os atos de exceção do governo militar. Apesar de o tema do Congresso - “O arquiteto e sua atuação profissional-perspectivas” - refletir a fase retrospectiva de avaliação e compreensão dos rumos da profissão por que passava o instituto, o encontro transcendeu os limites da entidade e da categoria e atingiu as ruas em defesa de interesses comuns da sociedade, revelando uma participação política bastante incisiva.
Foi nesta época que, ainda estudantes, eu e outros arquitetos da minha geração ingressamos no IAB. O IAB é uma organização de livre associação, que congrega arquitetos e estudantes e que tem o papel de defender a profissão, promover o desenvolvimento da arquitetura e do urbanismo em todos os campos de atuação e se manifestar publicamente em nome dos arquitetos. O instituto tem como missão esclarecer, ao público em geral, o que é arquitetura e a importância desta atividade para a construção adequada do espaço habitado pelo homem.
Desde sua criação, em 1921, o IAB participa de debates relativos às questões urbanas, habitacionais, de proteção do patrimônio histórico e cultural, e do meio ambiente em busca de soluções que garantam qualidade de vida para o conjunto da sociedade. Nestes quase noventa anos de existência, vários acontecimentos ilustram esta face pública da entidade, na luta incansável, ao lado de outros setores da comunidade, por uma sociedade democrática e independente. E é neste escopo que o instituto repensa a formação e a prática profissional.
O IAB sempre esteve à frente de importantes discussões sobre a reforma urbana; nos anos 60, travou intensa luta contra a equivocada política habitacional do Banco Nacional de Habitação – BNH; em julho de 1963, organizou o Seminário de Habitação e Urbanismo; nos anos 80, esteve presente nos debates sobre a reforma urbana na Constituinte; nos anos 90, participou da elaboração de Planos Diretores em diversas cidades; acompanhou a tramitação de mais de dez anos da aprovação, que aconteceu em 2001, do Estatuto da Cidade, um importante instrumento de organização das cidades.
A história do IAB ilustra como é fundamental a organização da sociedade civil em suas diversas possibilidades de expressão, inclusive profissional, para o debate e a procura de novos caminhos para a construção de uma sociedade democrática. As ações dessas entidades ajuízam os vários momentos por que passa a sociedade e as condições políticas e sócio-culturais desses períodos.
Documento de 1903 registra a criação do Centro de Arquitetos e Construtores do Rio de Janeiro, que surgiu em razão das primeiras transformações urbanas de um país ainda eminentemente agrário. Nesta época, os arquitetos reuniram-se pela defesa do patrimônio histórico-cultural e pela busca de uma identidade nacional.
Em sua trajetória, o IAB se transformou em uma entidade nacional e federativa; em 1943, foram criados os dois primeiros Departamentos Estaduais, São Paulo e Minas Gerais; o quadro federativo foi completado em 2001, com Roraima; em 1957, o órgão nacional passou a ser gerido pelo Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil-COSU. Nos Municípios, começou-se a implantar os Núcleos na década de 60; Jundiaí data deste período, sendo uns dos mais antigos dos vinte e oito Núcleos do Estado.
O XVIII Congresso de Arquitetos, que acontecerá em outubro, em Goiânia, pretende discutir “Arquitetura e Urbanismo no Contexto do Desenvolvimento Sustentável”.
Apesar da indiscutível relevância desse tema, outra discussão, que abarca arquitetura e sociedade, parece que surgirá neste Congresso: o debate sobre a democratização do IAB entre os Núcleos, que reivindicam uma participação efetiva nos Departamentos, com a implantação de Conselhos Estaduais deliberativos.
Liane Makowski Almeida, arquiteta, Vice-presidente do Instituto Arquitetos do Brasil – IAB/Núcleo Jundiaí
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