O projeto de arquitetura é fundamental para um bom resultado, tanto da execução da obra, como da concepção de um produto. Na construção, o planejamento minucioso da obra é crucial para quem busca bons resultados. Investir na etapa de projetos otimiza a produção, acelerando a obra, evitando-se patologias e futuras reformas e manutenções. Infelizmente, quem constrói, aqui no Brasil, nem sempre avalia o plano de como deveria fazê-lo. O projeto surge como um estudo prévio, para elaboração e planejamento da execução. O planejamento é mercadoria altamente valiosa em todo o mundo, para qualquer realização, mas no Brasil ainda não existe esse reconhecimento, e por aqui é costume fazer as coisas sem plano inicial. Apesar de representar aproximadamente apenas 5% do valor da obra, na nossa cultura, muitas vezes o empreendedor não sabe o verdadeiro valor do projeto. E ao querer economizar, acaba por ficar no prejuízo. As conseqüências advindas de obras sem suporte de bons projetos aparecem desde a tomada de preços. A começar o valor estimado para obra, começa a se multiplicar conforme a construção se desenvolve. A ausência de definições em projeto, e as constantes alterações geradas em conseqüência disso podem conduzir a obra à retrabalhos maciços, aparecem problemas estruturais, resolvidos com pilares e vigas atravancando os espaços, ambientes e pés-direitos sem proporção, desperdícios de tubulações hidráulicas e cabeamentos elétricos, dentre outros problemas. A falta de diretriz do proprietário, muitas vezes, deixa o mestre de obras comandar as soluções espaciais do produto, porém o mestre não tem formação e capacitação para definir esses espaços. E entrando nesta questão, entramos em outro ponto, a concepção do produto, ponto crucial no desenvolvimento prévio de um projeto.
No produto, a arquitetura é representada pela arte. "Arquitetura é construção e arte", essas palavras são do arquiteto Vilanova Artigas. A arte nasce dentro de cada um e desenvolve-se como um conjunto de experiências. O valor artístico é um valor perene, enorme e inestimável, é um valor sem preço e sem desgaste. E não há livro de regulamento que ensine isso. Um projeto de arquitetura, quando desenvolvido por um profissional capacitado, traz em seus espaços, escalas e proporções relações com o "homem", causando sensações peculiares a cada ser humano. Sensações espaciais, volumes e planos, texturas, cores, cheios e vazios formam os espaços em que vivemos. Isso é só uma introdução do que é arquitetura, e de alguns itens que justificam a contratação de um projeto de arquitetura, previamente a execução de qualquer tipo de obra, feito por profissionais capacitados. E defendendo a economia, a ordem e acima de tudo, o futuro de nossa sociedade, representando toda a classe de arquitetos, temos que valorizar o projeto, o planejamento de nosso desenvolvimento, de nossas cidades, e de nossos territórios, que na verdade, levam ao caminho da nossa evolução enquanto sociedade.
Para contratação de um profissional, calcula-se o valor do projeto de arquitetura de duas formas, pelo valor dos honorários gastos (cobrando-se a hora do serviço), ou pelo custo proporcional ao valor estimado da obra. O IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil) sugere o custo proporcional ao valor da obra, esta segunda opção é a mais utilizada no mundo todo. Na contratação de um projeto, é necessário a existência de um contrato e/ou uma proposta com aceite-se, onde deve estar discriminado uma série de informações: o objeto do serviço, a localização do objeto, o escopo dos serviços, as etapas, cronograma e prazos de entrega, valor e forma de pagamento dos serviços, eventuais procedimentos de reajustes, multas, encargos e serviços não inclusos. Esses serviços são essenciais para qualquer tipo de obra e/ou reformas.
Mônica Fonseca é arquiteta e urbanista, cursando Especialização em Projeto de Arquitetura na Cidade Contemporânea, FAU/Mackenzie; Coordenadora do Projeto Jornal do Instituto dos Arquitetos do Brasil, Núcleo Jundiaí - IAB Jundiaí.
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Texto apresentado no Seminário Arquitetura e Cidade, organizado pelo IAB Jundiaí, em jul./2007.