09/04/2007 -ARQUITETO E LOGÍSTICA

Afirmamos: planificação é o processo de ordenamento e previsão para conseguir, mediante a fixação de objetivos e a ação racional, a utilização ótima dos recursos de uma sociedade em uma época determinada.
Dentro do conceito de planificação, a urbana é a organização do espaço, o desenho da paisagem, atividades e funções de uma cidade. No conceito humanístico e democrático, ela tem por objetivo garantir: melhor qualidade de vida, de trabalho e de bem estar do homem e de sua comunidade.
Afirmamos: logística é a parte do processo de distribuição que planeja, implementa e controla o fluxo e armazenamento eficiente e efetivo de bens , serviços e informação com eles relacionada, desde a origem até o local de consumo, com o objetivo de ir ao encontro das necessidades dos consumidores.
Com o objetivo de desenvolver, de forma racional, o Centro Logístico de Jundiaí, o arquiteto, recolheu as experiências adquiridas;igualmente, procedeu a uma revisão sistemática, com o objetivo de manter o planejamento, assegurar a sua continuidade e controlar o seu desenvolvimento.
No passado, Jundiaí sempre foi um pólo logístico: fundada como porta do sertão, e os documentos daquele período já mostravam essa tendência:“A Vila de Jundiaí, pequeno povoado em uma colina baixa, é só importante por sua situação favorável para o comércio do sertão. Todas as tropas que partem da Capitania de São Paulo para Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Cuiabá, são aqui organizadas (...) dão ao lugar feição de atividade e riqueza, e com, razão dá-lhe o título de porto seco. Daqui partem as estradas trilhadas para as províncias citadas”(Spix e Martius, 1820)
O transporte de veículos de cargas pesadas em Jundiaí e a manutenção por este causada; a necessidade de ordenação do território municipal pelo setor logístico; a proposta de novos empregos e a busca por uma constante melhoria do padrão de vida e da economia jundiaiense, foram premissas para a realização deste projeto.
Analisando a área do tecido urbano jundiaiense,de malha viária, de setorização e parcelamento do solo, chegou-se a conclusão de que o “vetor oeste” era o melhor e mais adequado para esta intervenção projetual. Nesta região encontra-se a área escolhida com 5.200.000 m2, frontal á Rodovia Vice - Prefeito Hermenegildo Tonoli.
Promover o desenvolvimento e, projetar, é um exercício que exige especial atenção ao meio ambiente. No projeto do CELOG J., todas as faixas de preservação permanente, fez-se a expansão destas com a adição de grandes áreas verdes, formando um sistema de preservação e lazer, de grande porte.
O respeito a todas e importantes leis ambientais racionalizou-se este projeto. Com um sistema viário interno gerador de maior aproveitamento de área loteável e edificações integrantes do CELOG J., racionalmente distribuídas, foi possível reunir características que permitem a viabilidade do empreendimento, levando em consideração os fatores de acessibilidade, infra-estrutura viária, segurança viária, custos generalizados, inserção no meio urbano, habitação, trabalho e interação com o transporte.
O crescimento econômico, o perfil da mão-de-obra local, a ótima infra-estrutura oferecida, existência de mercado consumidor com alto poder aquisitivo, qualidade de vida geral, incentivos municipais, são, condicionantes geradores de desenvolvimento sustentável para o CELOG-J e, numa visão global, a possível ampliação dos benefícios e da sustentabilidade gerada pela implantação deste para todo o Estado. Já que, pela sua localização, será parte fundamental do Sistema Logístico de Transportes Estadual, influindo fortemente em seu funcionamento.
Isto posto, podemos afirmar:
Existe um fato da vida arquitetônica que serve de suporte à obsessão da forma e da expressão pessoal e que contribui para que a arquitetura se assemelhe á comunicação de idéias; este fato é que um arquiteto deve, pela lógica de sua atividade, projetar no futuro um objeto que ainda não existe.

Adhemar Fernandes, arquiteto e urbanista USP, professor doutor Unicamp, autor do projeto: Centro Logístico de Jundiaí, convidado do Instituto dos Arquitetos do Brasil – Núcleo de Jundiaí.