Afirmamos: planificação é o processo de ordenamento
e previsão para conseguir, mediante a fixação de
objetivos e a ação racional, a utilização
ótima dos recursos de uma sociedade em uma época determinada.
Dentro do conceito de planificação, a urbana é
a organização do espaço, o desenho da paisagem,
atividades e funções de uma cidade. No conceito humanístico
e democrático, ela tem por objetivo garantir: melhor qualidade
de vida, de trabalho e de bem estar do homem e de sua comunidade.
Afirmamos: logística é a parte do processo de distribuição
que planeja, implementa e controla o fluxo e armazenamento eficiente
e efetivo de bens , serviços e informação com eles
relacionada, desde a origem até o local de consumo, com o objetivo
de ir ao encontro das necessidades dos consumidores.
Com o objetivo de desenvolver, de forma racional, o Centro Logístico
de Jundiaí, o arquiteto, recolheu as experiências adquiridas;igualmente,
procedeu a uma revisão sistemática, com o objetivo de
manter o planejamento, assegurar a sua continuidade e controlar o seu
desenvolvimento.
No passado, Jundiaí sempre foi um pólo logístico:
fundada como porta do sertão, e os documentos daquele período
já mostravam essa tendência:“A Vila de Jundiaí,
pequeno povoado em uma colina baixa, é só importante por
sua situação favorável para o comércio do
sertão. Todas as tropas que partem da Capitania de São
Paulo para Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Cuiabá,
são aqui organizadas (...) dão ao lugar feição
de atividade e riqueza, e com, razão dá-lhe o título
de porto seco. Daqui partem as estradas trilhadas para as províncias
citadas”(Spix e Martius, 1820)
O transporte de veículos de cargas pesadas em Jundiaí
e a manutenção por este causada; a necessidade de ordenação
do território municipal pelo setor logístico; a proposta
de novos empregos e a busca por uma constante melhoria do padrão
de vida e da economia jundiaiense, foram premissas para a realização
deste projeto.
Analisando a área do tecido urbano jundiaiense,de malha viária,
de setorização e parcelamento do solo, chegou-se a conclusão
de que o “vetor oeste” era o melhor e mais adequado para
esta intervenção projetual. Nesta região encontra-se
a área escolhida com 5.200.000 m2, frontal á Rodovia Vice
- Prefeito Hermenegildo Tonoli.
Promover o desenvolvimento e, projetar, é um exercício
que exige especial atenção ao meio ambiente. No projeto
do CELOG J., todas as faixas de preservação permanente,
fez-se a expansão destas com a adição de grandes
áreas verdes, formando um sistema de preservação
e lazer, de grande porte.
O respeito a todas e importantes leis ambientais racionalizou-se este
projeto. Com um sistema viário interno gerador de maior aproveitamento
de área loteável e edificações integrantes
do CELOG J., racionalmente distribuídas, foi possível
reunir características que permitem a viabilidade do empreendimento,
levando em consideração os fatores de acessibilidade,
infra-estrutura viária, segurança viária, custos
generalizados, inserção no meio urbano, habitação,
trabalho e interação com o transporte.
O crescimento econômico, o perfil da mão-de-obra local,
a ótima infra-estrutura oferecida, existência de mercado
consumidor com alto poder aquisitivo, qualidade de vida geral, incentivos
municipais, são, condicionantes geradores de desenvolvimento
sustentável para o CELOG-J e, numa visão global, a possível
ampliação dos benefícios e da sustentabilidade
gerada pela implantação deste para todo o Estado. Já
que, pela sua localização, será parte fundamental
do Sistema Logístico de Transportes Estadual, influindo fortemente
em seu funcionamento.
Isto posto, podemos afirmar:
Existe um fato da vida arquitetônica que serve de suporte à
obsessão da forma e da expressão pessoal e que contribui
para que a arquitetura se assemelhe á comunicação
de idéias; este fato é que um arquiteto deve, pela lógica
de sua atividade, projetar no futuro um objeto que ainda não
existe.
Adhemar Fernandes, arquiteto e urbanista USP, professor doutor Unicamp,
autor do projeto: Centro Logístico de Jundiaí, convidado
do Instituto dos Arquitetos do Brasil – Núcleo de Jundiaí.