Arquitetura é para todos! E principalmente para as crianças, afinal, elas, mais do que ninguém sabe ocupar um espaço, têm o poder da imaginação, de construir castelos em mínimos metros quadrados, de escalar montanhas imaginárias, de vivenciar experiências inusitadas, de enxergar verdadeiras galáxias e aeronaves, materializar pontes, paredes e cavernas... e o principal, conseguem ser felizes neste espaço de gigantes, através de seus olhos tudo se torna um encanto.
E nós, arquitetos, participamos deste mundo, beneficiando através do design, estes clientes mirins (muitas vezes exigentes), articulando espaços com segurança, preocupando sempre com a durabilidade e qualidade... Pois, se já perceberam, as crianças não andam mais, correm... E essa energia toda tem quer ser canalizada para algum ambiente... A volta das salas de brinquedos nos projetos vem comprovar essa realidade.
Esta preocupação com os “anjinhos” é uma constante na hora da arquitetura de interiores, nasce desde a concepção do ambiente e acompanha todo o processo embrionário do espaço, respondendo pela escolha de pisos, definindo pisos antiderrapantes ou livres de ácaros para os alérgicos; na definição das cores é preciso estar atento à proposta do ambiente, se será para relaxar, usar o verde,para estudar e criar, lembrar do amarelo, para dormir, para inventar, enfim cada cor estimula uma atividade. Na hora do projeto de móveis, então, a atenção é fundamental, desde a máxima do aproveitamento total ( precisa caber toda a parafernália de brinquedos e presentes ao arsenal de roupas e sapatos) ao cuidado da segurança, sem formas pontiagudas ou convidativas à escaladas e vôos rasantes... o importante é tornar real este universo lúdico.
E estas definições não se restringem somente aos seus dormitórios não, esses seres “(super) terrestres “ da nova geração estão aqui para invadir todos os ambientes, pedindo TVs de plasma para o home ( ou para os próprios dormitórios), sem falar nas chaises e puffs que já são peças costumeiras em seus universos... Nos banheiros, querem cubas “ chiques” , de apoio, Nas piscinas, o pedido já não é da cascata ou trampolim, eles querem spa!!! E dependendo da faixa etária, a brinquedoteca dá lugar ao estúdio de gravação... é incrível , mas eles sabem o que tem de novo no mercado...
O encantado mundo do conto de fadas infantil não se acabou não, somente um personagem a mais entrou na história... o super poderoso arquiteto realizador de sonhos. Faz parte do nosso papel ( de arquitetos) criar para eles estes espaços prazerosos, espaços aonde haja troca de crescimento pessoal. O espaço é para criança, mas não é de brincadeira, tem que ter praticidade, segurança e beleza. Estes mini clientes são muito importantes, pois quando falamos que “as crianças de hoje são muito mais espertas que as de antigamente”, não é invenção não, elas estão sim nos questionando, intervindo, analisando e compreendendo... e se essa geração de mente inquietante já se interessa por tudo, conseguem compreender a dimensão dos espaços, se familiarizam rapidamente com os materiais, desejam avidamente experimentar a novidade da tecnologia... vocês já imaginaram o que será da arquitetura no amanhã?! Muitas vezes , são essas crianças que convencem os pais a experimentar uma novidade de mercado. Eles são a própria renovação combatendo a acomodação. Pois são estas crianças que nos fazem , muitas vezes , restaurar, modificar, transformar e recriar ambientes. Elas fazem o espaço físico se tornar um lar.
E a arquitetura, neste contexto, sempre se fez presente, no passado e muito mais se fará no futuro, através destas crianças exigentes e inteligentes. Acreditem: estes “amiguinhos” são nossos melhores garotos-propaganda ! Por esta conclusão, repito: arquitetura não é coisa só de gente grande!
Cláudia Mendonça é arquiteta e urbanista, da Comissão de Apoio Profissional e do Projeto Jornal do Instituto dos Arquitetos do Brasil, Núcleo de Jundiaí – IAB Jundiaí.
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