Optei pela Arquitetura Paisagística durante meu curso de graduação na Faculdade de Arquitetura da USP, quando em 1970 comecei a estagiar no escritório do Arquiteto Paisagista Luciano Fiaschi. Naquela época descobri que Arquitetura Paisagística não era apenas colocar plantas em um jardim para que o cenário externo ficasse mais bonito (embora sempre tenha acreditado que a estética na paisagem seja fundamental).
Era sim, trabalhar todo o espaço externo, para aproximar as pessoas da natureza e desfrutar de todos seus benefícios, projetar equipamentos externos que melhorassem sua qualidade de vida nos momentos de lazer, recreação, prática de esportes e principalmente no tempo do ócio. Ócio hoje reconhecidamente importante para recarregar as energias da estressante vida diária, e fundamental para induzir o processo criativo, ingrediente importantíssimo para a renovação da vida pessoal e profissional.
Nos dias de hoje, o paisagismo virou sinônimo de qualidade de vida nos condomínios. Em razão disso, as construtoras e incorporadoras estão cada vez mais empenhadas em oferecer espaços com amplos jardins, onde famílias possam desfrutar com segurança de diversas opções de lazer. Com isso, abriu-se uma demanda para a criação de projetos que contemplem áreas verdes com equipamentos para todas as faixas etárias e usuários.
Um arquiteto paisagista tem cada vez mais oportunidades de trabalho, porém quem entra nesse mercado precisa ter jogo de cintura para lidar com os desafios que um projeto desse porte envolve. Apesar do poder de decisão estar na mão de várias pessoas - incorporadora, setor de vendas, equipe de marketing e construtora - quem realmente vai dar a palavra final é o comprador. Por meio de pesquisas pós-venda, os projetos paisagísticos são avaliados pelos moradores. Se a avaliação for negativa, a incorporadora não voltará a procurar o paisagista.
Existem diferenças importantes na elaboração de jardins residenciais e de condomínios. Em aspectos técnicos, nas residências trabalhamos sobre um terreno natural, enquanto nos condomínios, principalmente os verticais, o projeto em geral é feito sobre uma laje que cobre os carros do subsolo. O trabalho em residências é feito sob medida, pois quem aprova o projeto é o cliente que vai morar no lugar. Já nos condomínios, quem autoriza o projeto é a incorporadora junto com a empresa de vendas, a equipe de marketing e a construtora. Todos visando um público cujos desejos são determinados através de estudos e previsões de mercado.
Como solução para esse impasse do cliente ser "oculto", costumo projetar espaços que contemplem uma grande diversidade de moradores: jovens casais com filhos, idosos, casais sem filhos, descasados, etc. Com experiência de 35 anos no mercado, assino projetos paisagísticos em condomínios verticais e horizontais, residências unifamiliares, empreendimentos corporativos e comerciais, hotéis e flats (urbanos e resorts), loteamentos (residenciais e industriais), habitações compactas, shoppings centers, parques e áreas especiais. Cada um deles tem características próprias que os tornam especiais. Cada novo projeto é uma oportunidade de criar soluções inovadoras e diferenciadas.
Por fim, é importante lembrar que a sintonia entre o paisagismo e a linguagem arquitetônica tanto em casas quanto em empreendimentos imobiliários é fundamental para o sucesso do conjunto. Em todos meus projetos procuro trabalhar em perfeita harmonia com a arquitetura desde o início do processo. Com isso, é possível integrar ao máximo ambientes internos e externos, além de propor soluções paisagísticas que harmonizam com o estilo arquitetônico adotado.
Benedito Abbud é arquiteto paisagista, mestre em paisagismo; conta com aproximadamente 3500 projetos paisagísticos no Brasil e em outros países; é autor do livro "Criando Paisagens" - Guia de trabalho em arquitetura paisagística", Editora Senac São Paulo, convidado do Instituto de Arquitetos do Brasil, Núcleo Jundiaí - IAB Jundiaí e da Proempi, em palestra proferida durante a Feiccad.