14/11/2006 - O futuro do desenho para o Arquiteto

Sabemos que a humanidade nunca passou por uma evolução tão rápida quanto esta trazida pela informática e, com ela, uma invasão de computadores nas nossas vidas. Nos escritórios de arquitetura, há apenas 20 anos, estas máquinas davam os primeiros passos para desenhar. Monitor colorido e mouse eram viáveis apenas para grandes empresas e sua capacidade de processamento era milhares de vezes menor. Hoje não existe computador sem mouse e tela colorida, mas os avanços não pararam e, daqui a 10 anos, teremos computadores 200 vezes mais potentes. O que será possível fazer com eles?
Hoje, o desenho técnico tradicional de prancheta, aquele de papel vegetal e nanquim, desapareceu. Para muitos arquitetos permanece o hábito de pensar e conceber o projeto no papel, pois aprenderam e sempre fizeram assim. Para os mais apreciadores da tecnologia o desenho de criação em papel foi sendo abandonado gradativamente, num mesclado de desenho feito a mão sobre folhas impressas, seu resultado é passado para o computador e a seguir, uma nova impressão. Mas o abandono definitivo do desenho em papel está por vir junto à nova geração de profissionais que não conheceram o mundo sem computadores. Quem tem filho adolescente sabe o como é fácil para eles lidar com tecnologia. Celulares, tocadores de MP3, vídeo games, computadores são simples e, em alguns minutos, já saem usando.
O outro lado da mudança é a evolução dos softwares aliados à velocidade dos computadores que oferecem uma crescente capacidade de trabalho em três dimensões. Recursos 3D existem há muitos anos, mas sua utilização esbarra na necessidade de computadores potentes, de treinamento e tempo. Uma mudança no método de projetar pode facilitar, mas ainda é pouco freqüente. Hoje, seja no papel ou no computador, a maioria dos arquitetos concebe o projeto em 2D a partir de plantas, cortes, elevações e depois fazem o modelo 3D, isto é, a perspectiva. Com os novos softwares a seqüência é inversa porque o projeto é concebido primeiro em 3D e depois o computador cria os desenhos 2D automaticamente. O AutoCAD® um software muito utilizado em projetos tem este recurso desde a versão 2000, mas exige um conhecimento avançado se fazer este método.
Recentemente um novo fato está movimentando o interesse de estudantes que fazem trabalhos 3D. A Google®, uma das maiores do mundo na Internet adquiriu o Skecthup®, um software exclusivamente 3D que cresceu e ficou conhecido. A empresa ainda foi além e colocou uma versão gratuita para download. Conhecê-lo é experiência inovadora, pois sua interface e seus comandos funcionam diretamente em perspectiva com uma interatividade surpreendente.
O recém lançado AutoCAD® 2007 apresenta uma reformulação geral na parte 3D. Para enfrentar a concorrência traz comandos de modelagem interativa e paramétrica, cria terrenos a partir das curvas de nível, renderiza com alta qualidade e cria de vídeos do projeto.
O Revit® e o Active 3D® são representantes dos softwares que usam elementos de arquitetura em 3D, não desenham linhas, mas paredes, aberturas, janelas, portas, coberturas, etc. Os desenhos 2D e as perspectivas são gerados a partir das informações dos elementos. Desenhar o projeto com eles é muito rápido, porém o software não resolve o projeto, pior, pode dar a falsa impressão de estar resolvido sem estar. Vale sempre a lembrança: a responsabilidade projeto é do profissional e não do software.
Concluindo, o Arquiteto já tem muitos recursos para criar e apresentar seus projetos e terá muito mais em breve. Utilizá-los para fazer bons projetos atendendo clientes o melhor possível dá credibilidade à profissão. O projeto é um serviço desenvolvido visando às necessidades do cliente, não é um produto que aparece de um desenho rápido com algumas linhas ou num clique de mouse. O computador deve ser usado como ferramenta para mostrar a qualidade do trabalho no projeto, fruto do empenho e do conhecimento, pois seus resultados aparecem na vida das pessoas e nas nossas cidades.


Autor: Alexandre Panizza, é arquiteto pela PUC Campinas e mestre pela UNICAMP Professor de Informática Aplicada a Arquitetura, membro do Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB Núcleo Jundiaí.
alexpan@ig.com.br