Talvez as pessoas ainda não pararam para pensar sobre a importância de um projeto de iluminação nos ambientes. A luz antes de mais nada é vida, é “luz”! Nesse artigo então, tentarei brevemente destacar o que é um projeto luminotécnico ou projeto de iluminação.
Até há alguns anos atrás, mais precisamente até a época do “apagão”, as pessoas não se preocupavam com a economia de energia, e nem se deparavam com a quantidade de novas tecnologias no mercado para lâmpadas. Com as atitudes governamentais visando a economia energética, a consciência ou a necessidade fez com que a iluminação tornasse um item a ser pensado.
Visando não só a economia energética, mas aliando-se à ela, a iluminação passou a ser projetada de forma diferente. Como assim? - vocês podem estar me perguntando... A iluminação passou a ser projetada de forma mais cênica, mais diferenciada. O projeto exige um cuidado muito especial, pois devemos, em qualquer tipo de ambiente, seja numa residência, escritório, loja, conhece-lo a fundo. Devemos analisar os tipos de atividades ali existentes, para dimensionarmos a quantidade de luz para essas atividades; de forma a não prejudicar a saúde futura dos usuários. Atividades como leitura, desenho e o próprio cozer requerem maiores quantidades de luz. Também as cores de paredes interferem no projeto, pois como um exemplo, paredes escuras absorvem maiores quantidades de luz.
Antigamente, podemos reparar quando entramos numa residência antiga, tínhamos um ponto de luz por ambiente, e geralmente na região central. Era usada sempre uma lâmpada incandescente, grande consumidora de energia, e que nem sempre proporcionava conforto para atividades de leitura ou até exigiam esforço da vista. Ninguém se preocupava com o dimensionamento da quantidade de luz. Em uma cozinha não se tinha complementação de luz na bancada de trabalho. Nos dormitórios era comum ascender, quando as pessoas se levantassem a única e principal fonte de luz, que ficava no teto, ofuscando a vista, quase sempre. Não havia também alternativas como arandelas, e até uma luz complementar para leitura, como alternativa. Conseguem perceber a diferença para os ambientes que tem um projeto de iluminação?
Temos, num projeto luminotécnico, dois tipos de iluminação, as de uso geral, que devem suprir as quantidades de luz exigidas por norma técnica, e as de destaque. Gostaria de chegar a esse ponto. A iluminação de destaque é aquela mais cênica. Podemos destacar objetos como quadros, as texturas de paredes com esse tipo de iluminação pontual. Criamos um cenário, pois podemos deixar o ambiente ora com mais luz, ora mais íntimo. Devemos dividir os circuitos elétricos de forma que a iluminação possa ser acessa conforme a ocasião. Isso também visará a economia energética, pois não precisaremos ligar toda a iluminação de uma vez.
As lâmpadas evoluíram muito nesses últimos anos. Temos lâmpadas mágicas hoje em dia. Lâmpadas que reproduzem fielmente a cor mesmo à noite; como se estivéssemos na luz diurna ou até mini cápsulas que geram alta quantidade de luz, usando uma luminária bem pequena.
As luminárias ganharam um mercado na área da decoração também. Tornaram-se nossas aliadas, pois ajudarão na composição estética dos ambientes. Podemos encontrar vários tipos de pendentes, luminárias embutidas de muito bom gosto. Ou até luminárias com aletas anti-ofuscamento para escritórios, que contribuirão, acreditem ou não, no nosso biorendimento ao longo do dia, pois evitarão o cansaço da visão.
Estamos caminhando para o futuro. Devemos usar das novas tecnologias ao nosso favor. A falta de luz pode ocasionar problemas visuais. Por isso, tentei passar a importância desse projeto para nossas vidas.
Autora:
Beatriz Migliorini é arquiteta formada pela UNESP, e pós graduada pela FAUUSP. Trabalha com arquitetura e interiores e também desenvolve projetos luminotécnicos.
beatrizmigliorini@terra.com.br