O crescimento das áreas urbanas tem despertado o homem para as modificações na qualidade ambiental, dentre as quais as mudanças no clima local. Problemas como enchentes, deslizamentos de encostas e ilhas de calor, despertam uma consciência ecológica na população. Apesar de esse tema ser cada dia mais debatido entre os cidadãos, as administrações públicas comumente o relegam a segundo plano.
Podemos definir área verde como espaço onde há predomínio de vegetação arbórea, englobando praças, jardins públicos e parques. Canteiros centrais de vias públicas, rotatórias e trevos, apesar de exercerem apenas função estética, também são considerados.
As primeiras áreas verdes que se têm registros dentro de cidades são os “Bosques Sagrados” da antiguidade clássica, porém o paisagismo em espaços públicos só se destacou de fato a partir do século XVII. No Brasil, a primeira área verde urbana foi criada pelo Imperador D. Pedro II, que preocupado com a falta d´água no Rio de Janeiro mandou plantar a floresta da Tijuca em 1861, com a finalidade de preservar as nascentes que abasteciam a cidade.
É indiscutível que as Áreas Verdes Urbanas proporcionam melhorias no ambiente excessivamente impactado das cidades e benefícios para os habitantes. As principais funções que esses espaços exercem na cidade são: ecológica, social, estética e educativa, sendo que cada área verde tem vocação maior para uma das funções, mas normalmente exerce todas ao mesmo tempo.
A função ecológica, que vem sendo amplamente discutida atualmente se dá principalmente pelo fato da presença da vegetação, do solo não impermeabilizado e da fauna diversificada, promover melhorias no clima, qualidade do ar, água e solo. A função social está relacionada com as possibilidades de lazer que essas áreas oferecem à população, ressaltando que a vegetação encontrada em área urbana é um bem social considerável para a manutenção da qualidade de vida das pessoas. A função estética diz respeito à diversificação da paisagem construída e o embelezamento da cidade. A função educativa está relacionada aos programas de educação ambiental, no desenvolvimento de atividades extra-classe.
A serventia das áreas verdes nas cidades está intimamente relacionada com sua quantidade, qualidade e distribuição dentro da malha urbana. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a relação ideal de área verde é de 12 m2 por habitante, índice este, que a maior parte das cidades brasileiras está longe de atingir, porque a falta de planejamento sobre o uso do espaço urbano e a falta de manutenção tornam esses espaços cada vez mais restritos e afastados.
Recentemente, com a temática da requalificação dos espaços urbanos, a demanda crescente de espaços de recreação e lazer e a introdução das dimensões ambiental e paisagística no planejamento urbano, a questão vem assumindo uma importância nunca alcançada anteriormente. No Brasil, a experiência da cidade de Curitiba, que na década de setenta estabeleceu uma política de áreas verdes, explorando os benefícios da vegetação incorporada ao meio urbano, tornou-se referência. A política de transformar Curitiba na “capital ecológica” do país foi a estratégia usada pelo poder público para promover e divulgar as administrações públicas locais da década de 1980. No processo de fomento e valorização do “verde”, a cidade ganhou uma série de espaços livres e requalificou vários outros já existentes.
O despertar do ecologismo e a reivindicação da população por espaços de lazer de qualidade, têm feito com que o poder público dê maior importância aos espaços verdes. Observando o exemplo de Curitiba, muitas administrações municipais notaram que a criação e conservação de praças e parques poderiam ser um ótimo veículo de promoção de seus governos, o que, atualmente, está causando um novo olhar do poder público sob a questão dos espaços verdes, valorizando a sua criação, preservação e manutenção.
Autor: Rafael Benassi, é arquiteto e membro do Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB Núcleo Jundiaí;
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