24/07/2007 - A convivência ao ar livre com segurança

O mercado imobiliário atual aponta para as duas principais preocupações de seus compradores: os pais querem manter os filhos mais tempo dentro do condomínio, com o objetivo de proteger as crianças do estresse crescente das grandes cidades e, por outro lado, desejam, também, que elas tenham cada vez mais momentos ao ar livre, em contato com a natureza e com outras crianças, o que diminui o tempo despendido com a TV, o computador e os videogames.

A convivência em ambientes ao ar livre é fundamental para um crescimento saudável. Momentos de socialização ajudam a criança a se desenvolver em grupo. Além disso, os pais ganham qualidade de vida quando sabem que os filhos estão em segurança. Cada vez mais projetamos espaços reservados aos pequenos moradores. Planejamos e desenvolvemos playgrounds para as diferentes faixas etárias, buscando todos os meios de explorar suas atividades. Muitas vezes instalamos uma praça da babá entre o playground da criança maior e o da menor, assim uma mesma babá, ou até a mamãe, pode acompanhar os passos dos pequenos sem correr o risco de presenciar brigas entre o mais velho e o mais novo.

A segurança é fundamental nos projetos de hoje, assim é importante locar os playgrounds em áreas afastadas dos portões e das entradas dos condomínios. Não é aconselhável que espaços lúdicos sejam vistos por quem passa na rua. Todo o percurso ao longo de um empreendimento é planejado para oferecer proteção aos pequenos moradores. Um porte-cochere para a perua escolar, por exemplo, oferece um ambiente mais seguro durante o embarque e desembarque na entrada dos condomínios.

A área de lazer dos condomínios é sempre utilizada para oferecer qualidade de vida aos moradores e faz muita diferença na hora da venda. Portanto, mesmo que não se disponha de um grande espaço ao ar livre, é aconselhável projetar alguns ambientes que atendam às necessidades de diferentes faixas etárias. Uma praça do lual, por exemplo, pode ser utilizada por crianças que brincam durante o dia e por adolescentes que paqueram no final da tarde. Para projetar playgrounds diferenciados conforme a faixa etária é importante anotar algumas dicas:

· Crianças de 0 a 5 anos precisam de brinquedos seguros, sem parafusos e, de preferência, de plástico. O espaço dessas crianças precisa estar longe do das crianças maiores, mais agitadas, que vivem correndo e fazendo barulho.

· Já as crianças de 5 a 10 anos, mais ativas, podem aproveitar os brinquedos mais brutos, feitos de troncos, por exemplo. Nessa idade a criança quer subir, se pendurar, escorregar em "tubos" de bombeiros.  Equipamentos feitos com troncos de eucalipto são ideais.

· Os maiores de 10 anos aproveitarão as quadras poliesportivas, que são fundamentais e quase sempre presentes nos projetos paisagísticos. Para essa faixa etária, pistas de skate, mini-arvorismo em alturas seguras, saco de box e espirobol são itens bastante requisitados.

Como regra geral para segurança dos pequenos moradores, adotamos brinquedos aprovados pelo Inmetro, piso antiderrapante e emborrachado principalmente nas áreas onde as crianças correm e brinquedos com parafusos embutidos na madeira. Para finalizar um belo projeto, a proximidade com a natureza é fundamental, sendo assim, sempre buscamos plantar frutíferas para atração de pássaros ao redor dos playgrounds e adotar equipamentos sobre grama.

Benedito Abbud é arquiteto paisagista, mestre em paisagismo; conta  com aproximadamente 3500 projetos paisagísticos no Brasil e em outros países; é autor do livro "Criando Paisagens" - Guia de trabalho em arquitetura paisagística", Editora Senac São Paulo, convidado do Instituto de Arquitetos do Brasil, Núcleo Jundiaí - IAB Jundiaí e da Proempi, em palestra proferida durante a Feiccad.